sexta-feira, março 17, 2006

Canção do Guerreiro


A luz suave da manhã atravessava o topo das árvores,e meu coração batia descompassado.
A urgência da vida que me atravessava a alma,fazia minhas mãos crisparem-se e meus olhos lacrimejarem.
Apenas meus pés corriam,desesperados,a buscar o caminho perdido.
Meus irmãos mortos,minha tribo destruída,minha alma dilacerada...
A luz suave do Grande Espírito acariciava meu ser,mas a dor era grande demais.
Os tambores que agora soavam eram apenas o do meu peito.
A luz era apenas a da manhã fria.
O caminho era apenas de perdição.
Quando o Grande Espírito permitir,encontrarei novamente meus irmãos,minha tribo,meu caminho...
Chamo meus ancestrais para que levem minha alma,que a deixem no fundo da cachoeira. Mas eles não querem que eu me junte à eles,não agora.
Irmão Urso,acolha teu filho.
Irmã Águia,eleve meu espírito.
Irmã Orca,conte a todos quem fui,meus feitos,minha estória,para que não se perca no vento a luz que um dia brilhou.
E um dia,quando o Quarto Mundo chegar,irei reencontrar todos meus irmãos,e novamente dançaremos à volta da fogueira e contaremos nossos feitos.

Agora só resta meu canto solitário,no topo da montanha,onde espero meu dia chegar....

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